É assim tão difícil provar que há um Varandistão no futebol português?

O Sporting é a equipa mais beneficiada pelas arbitragens, no futebol nacional. Tudo graças a Frederico Varandas, que, no espaço de sete anos, passou de um mero diretor clínico a presidente mais titulado da história do clube, espalhando os seus tentáculos pelos mais variados órgãos da Federação Portuguesa de Futebol (FPF).
É isso que nos diz Rui Costa, que não viu, durante anos, Luís Filipe Vieira a orquestrar, literalmente, na cadeira ao lado, um intrincado plano de alianças com clubes e agentes desportivos para colocar o Benfica na linha da frente. Isto, com a ajuda de José Mourinho, que viu um golo mal anulado, no empate a duas bolas com o Sporting de Braga, mas passou tábua rasa à grande penalidade não assinalada por falta de Leandro Barreiro sobre Pau Víctor.
É, também, o que nos diz André Villas-Boas, que nunca viu ponta de mal na maneira como Jorge Pinto da Costa tornou o FC Porto numa das principais potências nacionais, a não ser quando o cenário desportivo e financeiro começou a dar para o torto, mas que, agora, aponta o dedo a terceiros por casos de “memória seletiva”.
Depois da “fraudemia”, o Varandistão é a teoria da conspiração da moda, em Portugal. No entanto, quer num caso, quer no outro, falta, efetivamente, comprovar que há forças ocultas a procurar moldar a realidade nos bastidores, e que não se trata de produtos de mentes mais ou menos fantasiosas.
Bruno de Carvalho foi, em 2015, à televisão mostrar ao público o tão badalado Kit Eusébio, na tentativa de provar que o Benfica aliciava os árbitros com vouchers e não só… Mais tarde, foi a vez de Francisco J. Marques abrir a caixa de Pandora, com a divulgação de emails envolvendo o eterno rival.
Quer num caso, quer no outro, os defeitos dos autores são sobejamente conhecidos. Ainda assim, ambos tiveram a hombridade de procurar provar que os seus fracassos desportivos se deviam a motivos ilícitos, por muito que os processos que espoletaram tenham acabado por ser arquivados pela Justiça portuguesa.
Será assim tão difícil que, agora, Benfica e FC Porto façam o mesmo, para justificarem os recentes sucessos desportivos do Sporting? É que, verdade seja dita, em 2025/26, os únicos casos de tentativa de condicionamento à arbitragem conhecidos pelo público português foram cometidos… pelos próprios.
Ainda a bola não tinha começado a rolar, na temporada de 2025/26, e já o Benfica criticava a nomeação de Fábio Veríssimo para o dérbi da Supertaça Cândido de Oliveira. O mesmo Fábio Veríssimo que, quatro meses depois, denunciou a instalação de uma televisão no próprio balneário, com imagens em ‘loop’, ao intervalo e no final do FC Porto-Sporting de Braga.
Frederico Varandas está longe de ser o presidente perfeito. A relação com adeptos, sócios e claques, por exemplo, tem de ser seriamente debatida nas próximas eleições do Sporting, em 2026, assim como a atuação no mercado de transferências, que condicionou Ruben Amorim e que também vai causando ‘dores de cabeça’ a Rui Borges.
Ainda assim, numa altura em que o futebol português está num pranto, optou por ser o homem que vende lenços, sendo o único, até agora, que assumiu ter sido beneficiado pelas arbitragens, e defendendo a aplicação de punições mais severas a quem procure condicioná-las, mesmo que isso o venha a prejudicar.
Já Rui Costa e André Villas-Boas, se querem que as suas suspeitas sejam levadas a sério, terão de encontrar provas em concreto. Caso contrário, não passarão do nível de ‘troll’ de redes sociais, como aquele que acha que explica algo publicando, por exemplo, imagens de Vasco Botelho da Costa, treinador do Moreirense, a apoiar o Benfica.



