“Devem votar em todas as circunstâncias, mas em especial nas más”
O Antigo Presidente da República António Ramalho Eanes reconheceu, este domingo, uma preocupação com a abstenção. “Preocupa-me porque estas eleições são verdadeiramente especiais. É evidente que o Presidente tem competências e funções extremamente importantes. Qualquer que seja a situação. Mas a situação é má”, começou por dizer após ter votado na Escola Básica e Secundária Luís António Verney, em Lisboa.
“Temos o problema das cheias e isto vai exigir custos financeiros enormes. Além disso, temos uma segmentação partidária excessiva, que prejudica o encontro de consensos que permitem responder melhor às diferentes situações graves. E depois temos a situação geopolítica europeia e mundial”, continuou, explicando que a questão europeia “exige meios para constituir forças armadas” e “meios financeiros para a Ucrânia”, numa situação que considera “realmente grave”.
Sobre as eleições de hoje, Eanes deixou um apelo ao voto, referindo: “Os portugueses não podem ficar em casa. Nunca podem, mas neste caso não devem e não devem, porque as eleições são verdadeiramente excecionais pela sua importância”, pediu.
Questionado sobre se as populações afetadas pelo mau tempo podem ser demovidas de votar, o antigo chefe de Estado disse que “a questão pode ser analisada de duas perspetivas – emotiva e histórica”.
“Na perspetiva histórica, os portugueses sabem bem que têm um direito e um dever importantíssimo, que é o de votar. Devem votar em todas as circunstâncias, mas em especial nas más, para que todos assumam a responsabilidade de melhorar as coisas”, sublinhou Eanes.
Sobre o sucessor de Marcelo, admitiu “preocupação” também. “Este Presidente da República vai ter dificuldades que nunca nenhum outro Presidente da República teve depois de Abril. Deve exercer as funções de tal maneira, que ajude a compensar as dificuldades que referi: desde a fragmentação partidária, até a mobilizar formações e cooperação para ajudar a resolver esta situação dramática”, rematou.
Recorde-se que mais de 11 milhões de eleitores são chamados, este domingo, pela segunda vez, a escolher o novo Presidente da República, num sufrágio que opõe António José Seguro a André Ventura, os dois mais votados em 18 de janeiro.
No primeiro sufrágio, Seguro obteve 31,1% dos votos e Ventura, 23,52%, segundo o edital do apuramento geral dos resultados. O vencedor irá suceder a Marcelo Rebelo de Sousa, que atingiu o limite de mandatos.
Esta é a segunda vez, em 40 anos, que há uma segunda volta nas presidenciais, depois de, em 1986, os portugueses terem decidido entre Diogo Freitas do Amaral e Mário Soares.
O universo eleitoral é idêntico ao das eleições de 18 de janeiro: 11.039.672 eleitores, mais 174.662 do que nas eleições presidenciais de 2021. Mas depois de mais de uma semana de mau tempo e tempestades, há pelo menos três municípios – Golegã, Arruda dos Vinhos e Alcácer do Sal – que anunciaram o adiamento das eleições de domingo para 15 de fevereiro.



