Internacional

Ventura acusa Governo de usar reforma laboral como “distração”

O líder do Chega considerou esta quarta-feira que o Governo de Luís Montenegro está a usar o tema da reforma laboral como uma “mera distração”.

“Temos uma situação que não foi o Governo que criou, internacional, com um aumento brutal nos combustíveis, […] que se vai repercutir – e já se está a repercutir – nos alimentos. E o Governo tinha que tomar decisões rápidas sobre isso. Como não tem coragem, anda a desviar as atenções com a reforma laboral”, acusou André Ventura durante uma visita à Futurália, na FIL, em Lisboa.

O presidente do Chega recuperou até as palavras do antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho que, nas últimas semanas tem sido bastante vocal nas suas críticas ao Governo. A semana passada, depois de Montenegro lhe ter deixado um desafio velado, Passos atirou: “Este é o tempo – creio eu – de Luís Montenegro se concentrar no exercício dessas funções e dessas responsabilidades [de primeiro-ministro]. Concentre-se nessa missão e que se distraia pouco com o resto”.

Ventura fez das palavras de Passos suas. “O Governo tem uma missão: não se distrair e governar bem, e quando estamos em crise o Governo tem é que ter medidas para aliviar o custo de vida que as pessoas estão a sentir e não arranjar formas de distração – e é isso que Montenegro está a fazer”.

André Ventura recordou que desde agosto do ano passado que o seu partido se tem mostrado disponível para negociar a reforma laboral e chegar a consenso “em matérias que são realmente importantes”. “O Governo não quis porque o Governo não quer resolver nada. O Governo quer é vitimizar-se e dizer que não o deixam governar”, acusou.

“Eu, aliás, fiquei agora convencido estes dias de que o Governo não quer reforma nenhuma, nem do trabalho nem da fiscalidade. Não quer reformas de nada. Quer é usar todas as pseudo-reformas para se vitimar”, considerou o líder do Chega.

E acrescentou: “As pessoas não estão em tempo de brincadeiras. Nós estamos a ter um aumento real do custo de vida das pessoas e eu gostava que o Governo não usasse a reforma laboral como forma ou como manobra de distração”.

As críticas de André Ventura ocorrem poucas horas depois de o primeiro-ministro ter comparado a CGTP e o Chega, notando que tanto a estrutura sindical como o partido pediram que se rasgasse a atual proposta do Governo e se começasse do zero.

“Muitas vezes diz-se e bem que os extremos tocam-se. Neste caso concreto é que nem uma luva”, afirmou Luís Montenegro esta quarta-feira no seu discurso de encerramento das jornadas parlamentares do PSD, em Caminha.

O líder do Chega considerou também que as palavras do primeiro-ministro mostram “algum desrespeito”.

“O Governo não quer negociar nem comigo nem com o Chega, o Governo quer denegrir-me a mim e denegrir ao Chega, porque não quer fazer reforma nenhuma à espera do dia em que vai novamente ao Palácio de Belém dizer que não tem condições, não o deixam governar, fazer aquela vitimização habitual. Mas eu acho que não estamos em tempo nem de vitimização, nem de criar crises artificiais, estamos em tempo de governar e governar bem”, defendeu.

O líder do Chega foi também questionado sobre a renúncia ao mandato da vereadora do partido na Câmara de Ourém, a oitava saída desde as eleições autárquicas de 12 de outubro.

André Ventura desvalorizou, referindo que “os outros partidos também já perderam muitos vereadores, muitos deputados municipais” e disse que o assunto será analisado internamente no próximo Conselho Nacional, que ainda não tem data marcada.

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