Portugueses tramam André Ventura e escolhem José Seguro

Os dados recolhidos entre as semanas de campanha presidencial que antecederam a primeira volta permitem-nos tirar um dado de análise para a segunda ronda das eleições, que decorrem a 8 de fevereiro. Aos olhos dos utilizadores de redes sociais, André Ventura e o Chega têm uma simbiose quase total no que toca aos temas debatidos. Já Seguro e PS não andam de mão dada, pelo menos na perceção dos internautas.
A análise da agência de comunicação ALL, com dados recolhidos entre 4 e 19 de janeiro, nas redes sociais X (antigo Twitter) e Facebook, pintam um retrato muito diferente para cada um dos dois pretendentes ao lugar de Marcelo Rebelo de Sousa em Belém. A agência comparou “as menções por tema associadas a cada candidato e ao respetivo partido nas redes sociais”, para compreender se a agenda que os utilizadores associam a cada um se alinha.
No caso do Chega e de André Ventura, há um grande fator em comum: a imigração. A este seguem-se os temas da defesa e segurança, que os internautas utilizam tanto em discussões sobre o partido como sobre o candidato. Esta sintonia apenas se quebra quando se fala de poderes presidenciais e integridade, que apenas surgem associados a Ventura. Como o relatório refere, porém, isto é algo “expectável numa eleição presidencial de natureza
personalista”.
Entre Seguro e PS, há uma distância considerável. Quando se fala do candidato, os temas principais são “sondagens, governo, estabilidade política e poderes presidenciais”. As menções ao Partido Socialista são sobretudo em saúde ou imigração, ou seja, temas sectoriais. É de recordar que os socialistas não apoiaram desde sempre a candidatura de Seguro, que foi oficializada em junho de 2025. Só quatro meses depois, em outubro, é que a Comissão Nacional do PS aprovaria este apoio. Antes disso, em setembro, o próprio Seguro identificou a sua candidatura como “apartidária”. Este distanciamento inicial parece ter-se reproduzido na discussão das redes sociais.
Esta dissociação, de acordo com o relatório, “indica que os internautas distinguiram claramente António José Seguro do PS, associando-o mais a um perfil institucional e menos a uma agenda partidária, ao contrário do que acontece com André Ventura, cuja imagem surge fortemente colada à do Chega”.



