Fernando Tavares sem meias-palavras nas críticas à arbitragem após o empate contra o Sporting

Fernando Tavares lamentou o 1-1 no dérbi feminino em Alvalade e apontou críticas à arbitragem, à fraca promoção do encontro e também ao Benfica, defendendo que o clube deveria investir mais e assumir outro papel no desenvolvimento da modalidade. No LinkedIn, o antigo vice-presidente encarnado considerou que o jogo, longe de ser um momento alto da Liga BPI, foi limitado por falta de ambição, ausência de figuras em campo, pouca mobilização de público e pouca dinâmica mediática.
Sublinhou que o Estado deve apostar no crescimento do futebol feminino e que os agentes envolvidos precisam de refletir profundamente sobre o rumo do jogo. Quanto ao Benfica, pediu maior ousadia, defendendo que o clube da Luz deveria tornar-se um “motor de crescimento” e direcionar esforços para competir sobretudo na Liga dos Campeões. Alertou ainda para o risco de a modalidade entrar num ciclo vicioso, onde ganham peso ideias discriminatórias e modelos de contenção salarial.
Manteve também que investir não é incompatível com gestão, mas implica procurar retorno, não apenas financeiro, frisando a necessidade de liderança e visão estratégica.
Declarações de Fernando Tavares, na íntegra:
“O jogo que devia ser um dos pontos altos da Liga BPI, traduziu-se num espectáculo curto. Treinadores a demonstrarem pouca ambição, algumas das principais protagonistas fora do 11 das duas equipas, pouco público, pouca promoção do jogo, poucas ativações de RP, arbitragem fraca e entrevistas antes e pós jogo com as mesmas questões e as mesmas respostas. Os agentes do futebol feminino têm que fazer uma reflexão profunda sobre o jogo e aquilo que o rodeia. Ao Estado cabe o papel de investir no crescimento da modalidade. Isto se verdadeiramente acreditar que o futebol feminino é um factor de sustentabilidade desportiva e social. Veja-se o caso de Espanha. Necessário ter estratégia, inovar e investir.
Ao Benfica caberia reforçar o seu papel de motor de crescimento do jogo. Mas para isso é necessário investimento, gestão de risco e coragem para assumir que para já a sua principal competição devia ser a Liga dos Campeões. Temo que o futebol feminino entre num ciclo vicioso onde será mais difícil reforçar o seu espaço de afirmação. Ganharão os protagonistas dos tetos salariais e aqueles que consideram que o futebol é só para homens ou que o feminino é apenas algo simpático para ter e não uma obrigação desportiva e social. Investir não significa necessariamente ausência de gestão orçamental. Investir significa igualmente pensar no retorno e na receita. Retorno não apenas numa perspectiva económica. O futebol feminino precisa de colégio e de liderança.”



