Internacional

Bruno de Carvalho dispara: “Deixei de acreditar em Jesus desde o Jorge”

Num regresso marcado por mágoas e memórias difíceis, Bruno de Carvalho voltou a falar sobre o Sporting e o seu passado no clube. Numa conversa franca no podcast Podcalhar, o antigo presidente dos leões deixou no ar a hipótese de regressar, embora o discurso tenha ficado carregado de rancor e promessas por saldar.

Entre acusações e desabafos, surgiram referências a traições internas e, de novo, a Jorge Jesus, a quem o antigo dirigente aponta o dedo como o principal responsável pela queda na liderança verde e branca. “Vocês têm que perceber que eu sou católico mas deixei de acreditar em Jesus desde o Jorge. Já só acredito em Deus”, atirou, chamando o treinador de “hipócrita”.

Grande parte da sua indignação continua centrada no ex-técnico do Sporting, quem descreve como manipulador e capaz de virar jogadores contra a direção. “Para mim, é das piores pessoas que eu conheci no mundo do futebol (…) Ele não é bom enquanto ser humano”, afirmou, recordando episódios de discórdia interna. Contou ainda que o treinador escolhía capitães com base em interesses próprios: “Ele escolheu para capitães de equipa aqueles que não queria que saíssem do Sporting (…) Ele conseguiu que os dois capitães me odiassem”. As acusações culminaram com uma revelação sobre o ataque à Academia de Alcochete, em 15 de maio de 2018: “Eu chamo o que aconteceu em Alcochete a ‘tempestade perfeita’, porque toda a gente conseguiu ir bater um bocadinho no Bruno de Carvalho”.

A propósito desse episódio, o antigo líder leonino faz questão de reafirmar que nada soube das agressões antes de acontecerem. “Os jornais diziam ‘foi o mandante, o autor moral’. Eu não fui autor moral de nada porque eu não tinha conhecimento do que ia acontecer. Eu fui o único que perdi com Alcochete”, salientou, reforçando que até o Ministério Público concluiu pela absolvição. Ainda assim, não poupou novas críticas ao técnico português: “Verificou-se em tribunal que a pessoa combinou de facto com Jorge Jesus ir lá, portanto Jorge Jesus sabia que eles iam lá e andou sempre a dizer que não sabia”.

A detenção que se seguiu tornou-se um episódio traumático. Bruno de Carvalho recordou uma casa invadida por autoridades e um cenário descrito como “um filme de terror”: “Tocam à porta, eu a pensar que era a minha filha e dizem ‘é a polícia, vimos prendê-lo’ (…) Parecia um filme de terror na minha cabeça.” Mais tarde, descreveu a sua cela como desumana: “Metem-me numa cela que não tinha mais do que 2 metros quadrados. Não tinha sanita, tinha um buraco no chão, um buraco cheio de cocó, um cheiro nauseabundo, cama de cimento, nem cobertores tinha e estava um frio desgraçado”. O banho chegou apenas no último dia: “Chamaram quase 100 polícias… levaram-me para uma cadeia… Fiquei em pânico, tive um ataque de pânico ali.”

Sobre o impacto emocional, o antigo dirigente reconheceu um período de sofrimento profundo: “Eu sofri muito. Tive uma depressão profunda em 2018. Só agora me sinto a sair dela, nada com tendências suicidas, mas uma depressão profunda”. Apesar de toda essa dor, não fecha a porta a um eventual regresso: “Eu acho que sim, que vai haver uma segunda parte, um dia. Quando um dia o Sporting tiver um presidente como deve ser, coisa que não tem, hei-de poder ser sócio outra vez com todos os meus direitos”.

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