Passos Coelho rejeita desafio de Montenegro: “Não sou candidato a coisíssima nenhuma”

Pedro Passos Coelho garante que não é candidato às eleições diretas do PSD sugeridas por Luís Montenegro. O antigo primeiro-ministro deixa ainda uma recomendação ao atual chefe de Governo: “É tempo de se concentrar”.
Após ter sido desafiado pelo atual presidente do PSD a concorrer a umas eventuais eleições diretas no partido, Pedro Passos Coelhos responde:
“Julgo que não será surpresa para ninguém, porque já o tinha declarado publicamente, que não estou candidato a coisíssima nenhuma (…). No dia em que quiser candidatar-me eu digo e candidato-me. Não faço isso para satisfazer calendários ou por questões de política interna. No dia em que o fizer, se o fizer, há de ser por um imperativo de consciência e por mais nada”, afirma, em declarações aos jornalistas, no Porto.
O social-democrata sublinha que a função de primeiro-ministro, que já desempenhou, é “importante” e, por isso, deixa um conselho a Luís Montenegro.
“As pessoas aguardam que o seu mandato possa ir ao encontro de uma mudança. Julgo que começa a haver condições para que essa mudança possa ser posta em prática. Fechámos um ciclo eleitoral, que foi longo, e agora há três anos e meio quase pela frente. Este é o tempo, creio eu, do doutor Luís Montenegro se concentrar no exercício dessas funções e responsabilidades”, afirma.
As declarações surgem após o atual líder do PSD ter proposto que as eleições diretas no PSD se realizem em maio para que “não haja qualquer dúvida” e, sem nunca referir diretamente o nome do Passos Coelho, que nas últimas semanas fez várias críticas ao Governo, desafiou quem tiver “caminho diferente e alternativo” a apresentar-se.
As últimas eleições diretas para a liderança do PSD realizaram-se em setembro de 2024, mas, há quatro anos, foram a 28 de maio.
Passos garante: “Direi sempre o que penso”
Ainda em declarações aos jornalistas, à entrada para a 4ª edição da Cimeira da Associação de Estudantes da Faculdade de Economia da Universidade do Porto (AEFEP), o social-democrata reafirma que dará “contributos” ao país sempre que entender e que não se deixará “condicionar por reptos de espécie de natureza partidária”.
“Já fui primeiro-ministro. Tenho uma obrigação para com muitas pessoas no país e direi sempre aquilo que entender dever ser dito, sempre que vier a oportunidade e evidentemente de acordo com o que eu acho que é importante”, remata.
Já depois de ter aconselhado o primeiro-ministro a concentrar-se, o antigo líder do PSD deixa-lhe outra recomendação: que se distraia pouco com o resto além daquilo para que foi eleito.
“Não sei se aquilo que eu digo incomoda ou não incomoda, aborrece ou não aborrece, não digo nem para incomodar nem para aborrecer. Digo o que penso e direi sempre o que penso, sempre que achar ser oportuno e importante. Quem está à frente do Governo umas vezes ouvirá coisas que gosta e outras vezes ouvirá coisas que não gosta”, reforça.



