Internacional

Teresa Morais “é uma líder de claque”. “Começou a achincalhar o Chega”

O presidente do Chega reiterou as suas críticas à presidente em funções da Assembleia da República (AR) esta quinta-feira, Teresa Morais, que, no final do debate proposto pelo partido de Direita, interveio, refutando uma acusação de André Ventura às mulheres da esquerda parlamentar.

“Hoje a presidente em exercício, que não é deputada equivalente aos outros – portanto está numa posição de moderação, de estar acima das bancadas parlamentares – esperou que o debate acabasse, deixou-me encerrar o debate em nome do Chega […] e no fim decidiu esquecer que era presidente da AR e começou a fazer considerações”, afirmou André Ventura em entrevista à CNN. “Era o mesmo que sairmos desta entrevista e eu ir dar uma outra aqui fora a fazer considerações do seu trabalho”, comparou, dirigindo-se ao jornalista à sua frente.

Ventura disse ter sido “muito cortês” ao chamar “à atenção” a presidente, dizendo-lhe: “Não é este o seu papel, é dos outros partidos. Os outros partidos é que têm de me criticar”.

“Mas a presidente Teresa Morais não consegue despir-se do facto de ser deputada do PSD e começou a achincalhar e a menorizar o Chega. Isso não é aceitável”, atirou, recordando que o partido também tem um vice-presidente na mesa. “Imagine-se se esse vice-presidente começa a cada intervenção de cada deputado a dizer o que é que ele acha que está errado naquela intervenção daquele deputado”.

E acrescentou: “Não é a mim nem ao Chega que está a achincalhar. É ao segundo maior partido representante do eleitorado. Portando, acho que esteve muito mal”.

André Ventura anunciou ainda que o partido vai fazer um protesto formal na sexta-feira junto da presidência da AR e junto de Aguiar-Branco: “Para que perceba que isto não é uma presidente da AR. Isto é uma líder de claque ao serviço de um partido”.

E a postura de Filipe Melo?

Recorde-se de que André Ventura encerrou os trabalhos com um discurso em que acusou a deputada do PS Isabel Moreira e as líderes parlamentares do Livre e do PCP de esconderem e ignorarem propositadamente quando “compatriotas suas são violadas, agredidas, mutiladas, perseguidas e assediadas só por uma razão”: “Se fossem portugueses estavam aqui aos gritos. Como são estrangeiros, protegem-nos porque preferem os criminosos às mulheres que são vítimas de crimes”.

Em resposta, a presidente em exercício, antes de dar por terminados os trabalhos, notou: “É a minha convicção que nenhuma mulher nesta casa, seja ela sentada numa bancada à esquerda ou à direita, quer esconder violadores ou ignorar violações de mulheres”.

O comentário de Teresa Morais deu início a uma troca de acusações entre a bancada do Chega e a social-democrata, que levou até Filipe Melo, o vice-presidente do partido, a abandonar o seu assento na mesa e a ir sentar-se entre os seus pares na bancada do Chega.

A presidente em funções, pouco depois, atirou: “Senhor deputado Filipe Melo, faça o favor de ficar calado, porque já toda a gente percebeu que o senhor deputado está na mesa a fazer trejeitos infelizes e depois sai da mesa quando lhe apetece para vaiar a mesa”.

Questionado sobre a postura do deputado Filipe Melo, André Ventura foi perentório ao defender a decisão do vice-presidente da AR: “Eu não seria coerente se dissesse que o deputado Filipe Melo esteve mal em sair, quando o próprio grupo parlamentar hoje saiu”.

Desafio de Montenegro a Passos é  “baixaria política

Saindo da assembleia e rumando à vida interna de outros partidos, André Ventura acabou por comentar, de seguida, o aparente desafio de Luís Montenegro a Pedro Passos Coelho no Conselho Nacional do PSD, na quarta-feira.

“Parece-me, mas isto estou a ver de fora, que há um evidente incómodo desta direção do PSD de Montenegro com Pedro Passos Coelho”, afirmou Ventura, considerando que é “evidente” que as palavras do presidente dos sociais-democratas foram um desafio ao ex-primeiro-ministro.

“Mas é de uma certa baixaria ao mesmo tempo, porque não é um desafio comum. Não é um desafio normal de uma situação de equivalência política. Luís Montenegro sabe que tem, neste momento, o controlo do aparelho partidário, sabe que está em funções de primeiro-ministro e que, logo, isso gera uma dificuldade muito grande em mudar o líder [do partido]”, apontou o presidente do Chega, “Mudar o líder do PSD agora era mudar o primeiro-ministro, indiretamente. Montenegro ia-se manter como primeiro-ministro perdendo as eleições do partido que o suporta?”, questionou.

Ventura considerou que Montenegro “não suporta que Pedro Passos Coelho tenha um pouco mais de clarividência do que ele nas reformas que o país precisa, tenha tido também a clarividência de perceber que o país estava a virar a direita e que exigia acordos à direita”. “Luís Montenegro não consegue fazer isso porque na verdade sempre esteve mais próximo do Partido Socialista do que da direita”, atirou.

Para Ventura esta “não é uma forma séria de tratar um antigo líder de um partido que foi primeiro-ministro numa altura muito difícil”. Para si, trata-se de uma forma de “encurralar Pedro Passos Coelho”, numa tentativa de passar uma mensagem de que falta coragem ao antigo líder do PSD.

“Acho que Luís Montenegro sabe que Pedro Passos Coelho não avançar e quer passar a imagem: fala muito, mas não é capaz de avançar nos momentos certos […]”, considerou, notando que o desafio do presidente do PSD “não caiu bem em muitos setores” do partido.

No Conselho Nacional do PSD na quarta-feira, Montenegro sugeriu antecipar o calendário para eleições diretas para maio, afirmando: “se houver um caminho alternativo e diferente que seja apresentado e que seja objeto da apreciação do partido, dos seus órgãos e dos militantes”.

Recorde-se de que nas últimas semanas, Passos Coelhos tem-se manifestado várias vezes, tecendo críticas ao rumo do país e à estratégia que tem sido posta em prática pelo Governo de Luís Montenegro.

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