Carrick explica como recuperou United no pós-Amorim: “Ainda não gritei…”

Michael Carrick concedeu, esta sexta-feira, uma extensa entrevista à estação televisiva britânica BBC Sport, na qual fez um balanço positivo do primeiro mês passado ao leme do Manchester United, no qual somou quatro triunfos (sobre Manchester City, Arsenal, Fulham e Tottenham) e um empate (com o West Ham), ao cabo de cinco jogos.
O antigo internacional inglês recusou dizer que, antes da sua chegada, os red devils estavam em “sub-rendimento”. Ainda assim, deixou a entender que havia muito por melhorar, na sequência de um período de 14 meses no qual as rédeas da equipa estiveram entregues ao treinador português Ruben Amorim, que ficou marcado por uma série de altos e baixos.
“Não me cabe realmente dizer se estavam ou não em sub-rendimento. Para mim, quando passei por aquela porta, o importante era aquilo que tínhamos pela frente, e eu sabia que este era um grupo realmente talentoso… Havia muito potencial no seio deste grupo”, começou por afirmar.
“Tinha apenas a ver com aquilo que nós podíamos fazer para ajudar a melhorar as coisas. Nós tivemos três dias, antes de defrontarmos o Manchester City, por isso, foi uma semana de preparação de jogo muito condensada e compressa, com muitas coisas a acontecerem, num curto espaço de tempo”, prosseguiu.
“O importante é tirar o melhor dos jogadores, não é? Por isso, como já disse, as primeiras conversas… Aquela primeira impressão é muito importante. Eu já estive do outro lado, quando chega alguém novo à sala. A minha mensagem, para ser honesto, foi ‘Estou aqui para vos apoiar, para vos ajudar'”, completou.
Michael Carrick enalteceu, ainda, a importância de tratar bem os jogadores, por exemplo… não gritando com eles: “Ainda não o fiz. Existe um tempo para todo o tipo de emoções, e essa é a beleza de estar nesta posição. Tens de perceber o tempo certo e ativar os botões certos para retirar as reações certas”.
“Não foi uma grande decisão alinhar com Kobbie Mainoo”
Michael Carrick virou, de seguida, baterias para Kobbie Mainoo, jogador de apenas 20 anos de idade que chegou a estar na ‘porta de saída’ do Manchester United, durante a ‘era’ de Ruben Amorim, mas que o próprio acabou por tornar num titular indiscutível, num sinal de confiança que este retribuiu, com duas assistências em cinco jogos.
“Eu conheço o Kobbie há muito tempo. Penso que comecei a trabalhar com ele quando ele tinha 13 ou 14 anos, quando eu comecei a tirar o curso de treinador, há uns bons anos. Foram apenas pequenos fragmentos. E, depois, é claro, quando eu estive aqui, da primeira vez, ele andou um pouco dentro e fora da equipa”, apontou.
“Penso que o facto de o conhecer, de ter experiência com ele e de o ter visto a jogar num determinado nível, em tão grandes ocasiões… Eu já falei sobre os treinadores serem capazes de lidar com o facto de estarem aqui, a um certo nível. Aquilo que o Kobbie tem feito, em tão tenra idade, é bastante incrível, na verdade”, acrescentou.
“Nós esquecemo-nos do quão jovem ele é. Eu era, simplesmente, um grande fã de o ver jogar, sabendo daquilo que ele era capaz, por isso, não foi, na verdade, uma grande decisão alinhar com ele. E, para ser justo, não é fácil, não tendo jogador, encontrares o teu ritmo e a tua forma”, rematou.



