Chega vai propor “comissão” de nomeações na administração pública

“Vou propor no parlamento uma comissão de acompanhamento e de verificação das nomeações dos vários cargos na administração pública nos últimos anos e para os próximos, portanto de verificação dos últimos anos e de acompanhamento dos próximos”, afirmou André Ventura, em declarações aos jornalistas em Arruda dos Vinhos, no distrito de Lisboa, uma das zonas afetadas pelo mau tempo e um dos três concelhos em que a eleição da segunda volta das presidenciais vai realizar-se no domingo.
O líder do Chega disse que o objetivo é avaliar se existiram “conluios prévios, em que os cartões partidários estão sempre a funcionar” e se “os concursos são só fachada”.
André Ventura disse que a decisão de avançar com esta proposta teve por base as declarações de quinta-feira do antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, que acusou governantes de viciarem concursos para altos cargos na administração pública, afirmando que “a maior parte das pessoas que concorrem sabe que já está tudo decidido antes do concurso ser feito”.
O ex-candidato presidencial considerou que “estas palavras têm que ser levadas a sério” e o parlamento deve “lançar uma investigação sobre essas nomeações”.
“Pela parte política é isso que acho que devemos fazer, e da minha parte farei esse esforço para ir pelo menos ao encontro do que disse o antigo primeiro-ministro, e acho que a Justiça deve também pôr aqui alguns olhos porque a viciação de concursos é crime, é um ilícito e deve ser investigada. E acho que se há elementos que conduzem a isso, e provavelmente Pedro Passos Coelho tem razão, acho que as autoridades também devem investigar isso”, defendeu.
Ventura considerou que a comissão deve incidir “sobretudo nos últimos anos”, mas ainda será definido o período o propor, admitindo que poderá abranger o tempo em que Pedro Passos Coelho governou o país.
“Se for preciso, incluindo esse, acho que ele próprio estaria disponível para isso. Acho que é preciso definir um espaço temporal que seja fazível e que seja realista, como temos feito nas comissões de inquérito. […] Acho que é importante lançar essa investigação, porque se é dito por um ex-primeiro-ministro, que tem conhecimento do que está a dizer e que esteve à cabeça da administração pública, eu acho que é importante dar consequência a isso”, referiu.
Questionado sobre o anúncio do primeiro-ministro de que haverá um Plano de Recuperação e Resiliência exclusivamente português, para que o país possa recuperar economicamente das consequências do mau tempo e atuar nas infraestruturas mais críticas, Ventura disse querer “esperar para ver o que é”.
“Nós temos tido muitas notícias do Governo que depois não se traduzem em nada. Temos muita gente que ainda está à espera dos apoios dos incêndios que ocorreram há uns meses, e isso eu sinceramente prefiro esperar para ver, eu desconfio muito dos anúncios que são feitos”, indicou.
“Acho que o tal PRR ajustado à situação de calamidade é fundamental que seja feito rapidamente, em articulação com as autoridades europeias e que chegue rapidamente às populações”, acrescentou o líder do Chega, pedindo “uma gestão uniforme”, para que a ajuda “chegue a todos”, e não “uma gestão consoante as câmaras ou as autarquias sejam mais próximas politicamente ou menos próximas”.
André Ventura esteve esta tarde em Arruda dos Vinhos, onde viu uma estrada que colapsou na sequência do mau tempo dos últimos dias. O líder do Chega visitou também, na mesma rua, a casa do responsável da empresa que assegura os palcos e sistemas de som nos comícios do Chega, que também foi afetada e evacuada.
Depois, o deputado seguiu para os Bombeiros Voluntários de Arruda dos Vinhos, para deixar mantas.



