Passos Coelho acusa o Estado de ser um obstáculo para o crescimento econômico

Esta quarta-feira, na apresentação de um livro sobre Inteligência Artificial, Pedro Passos Coelho lamentou que se continue a falar de reforma do Estado, mas que se faça muito pouco por ela e deu os parabéns ao Presidente eleito.
Manteve-se em silêncio durante as cinco semanas de campanha eleitoral para as presidenciais, depois de ter tido presença assídua durante a campanha para as autárquicas. Agora que o ciclo eleitoral acabou, o ex-primeiro-ministro voltou a usar da palavra.
O tema da Inteligência Artificial proporcionou a Passos Coelho a oportunidade para bater numa velha tecla:
“O Estado continua a ser um óbice ao crescimento económico”, disse no lançamento do ensaio “Economia, Inovação e Inteligência Artificial”, editado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, em Lisboa.
Não é culpa de nenhum partido em particular, garante o antigo governante, que pede uma reflexão séria sobre o assunto.
“Fala-se muito de reforma do Estado, mas faz-se pouco por isso. Se os processos não mudarem, não vale a pena estar a investir em digitalização e em máquinas”, entende o ex-primeiro-ministro.
“Se continuarmos assim, não é a IA que nos vai salvar”
Passos Coelho considerou que o país continua “atrasado” em relação aos “parceiros”.
“Quando olhamos para as previsões da maior parte das instituições internacionais, veja qual é a previsão que há para crescimento ‘per capita’ a partir de 2027: é miserável, e mesmo sem ser ‘per capita’, é miserável. Regressaremos à nossa tendência de longo prazo, que é na casa de 1%, 1,1%”, previu.
Avisou ainda que, “se continuarmos assim, não é a Inteligência Artificial que nos vai salvar”.
Passos – que assegura não ser “um pessimista” – considerou, ainda assim, que a IA tem riscos, como tornar mais facilmente substituível o fator humano.
“Podemos ser altamente produtivos para aqueles que estão a trabalhar, mas cada vez menos as pessoas terão do que viver, porque não serão precisas para produzir nada”, alertou, avisando que já são precisos menos juristas ou menos pessoas na área da Medicina.



