Internacional

Henrique Gouveia e Melo defende que a demissão da ministra da Administração Interna protege o Governo e beneficia a população

A demissão da ministra da Administração Interna apanhou Henrique Gouveia e Melo prestes a entrar no Jornal da Noite, da SIC. O almirante acabou por ver confirmada, pela própria, a reflexão que tinha feito no artigo de opinião publicado, esta terça-feira, no Público. O ex-candidato à Presidência da República tinha criticado a atuação de Maria Lúcia Amaral na sequência das tempestades que assolaram o país, referindo que a liderança tinha falhado e que alguém devia assumir as consequências.

“Pelos vistos, a senhora ministra também achou”, começou por dizer, acrescentando que a saída da ministra protege o Governo e “beneficia a população”.
Tal como já tinha feito, o antigo Chefe do Estado-Maior da Armada, deixou críticas à resposta do Governo e da Proteção Civil. Gouveia e Melo diz que a ministra da Administração Interna falhou em toda a linha, desde o comando, à preparação, até à forma como o Estado se fez presente no terreno e junto das populações. No artigo de opinião, chegou ainda a pedir uma remodelação profunda na Proteção Civil.

No terreno, o almirante considera que fez falta uma “task-force”, um termo que nos transporta para o papel que desempenhou na pandemia, quando tinha sobre a sua responsabilidade o plano de vacinação contra a covid-19. No entanto, o próprio quis afastar leituras pessoais, garantindo que “não procura emprego”, que não tem como plano ser o novo ministro da Administração Interna, embora admita que estará “sempre disponível para trabalhar para o Estado português e para a população portuguesa”.

O artigo, insistiu Gouveia e Melo, não tinha como outro objetivo senão o exercício do direito a participar na vida política do país como cidadão. “E essa participação política não é de uma casta. Nem está reservado a uma caixa”, referiu, argumentando que “todos os cidadãos podem contribuir”.

“Eu julgo que o país precisa de respostas. Há muita gente capaz de dar essas respostas. Eu não acredito que haja um D. Sebastião que resolve todos os problemas. Portanto, há muita gente com capacidade e com conhecimento para dar essas respostas. O Governo terá que encontrar essas pessoas. O que não significa é que eu não possa criticar a forma como o Governo atuou e fazendo essa crítica, de alguma forma, contribuir para o debate público”, continuou.
Experiente em liderar equipas em cenários-limite, o até há pouco candidato a Presidente da República defende que os fenómenos extremos, cada vez mais frequentes, exigem uma resposta de outro nível, ou seja, mais coordenada, mais rápida e com mais noção das valências que o Estado tem ao dispor, desde logo as Forças Armadas. Considera que, em situações de desastre, deve ser levada a cabo uma espécie de missão, que reúna várias entidades e ramos das Forças Armadas, sem espaço para “quintinhas” e disputas institucionais.

“As Forças Armadas são uma capacidade que o país tem. E como todas as capacidades, em momentos de crise, não devem ser colocadas na prateleira ou usadas com pequenos pedaços. Um dos grandes problemas, que muitos destes atores que estão no terreno não percebem, é quando pedem qualquer coisa às Forças Armadas ou à Defesa, não podem pedir um gerador ou uma viatura ou dez militares. Pedem uma capacidade para executar uma missão. Essa falta de capacidade, de perceção, como é que as Forças Armadas atuam e como é que podem desenvolver o seu máximo potencial no terreno é um erro do próprio sistema”, apontou.

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