Ministra da Administração Interna demite-se (e Marcelo já aceitou)

Cerca de duas semanas após o início de uma sequência de tempestades que colocou parte do país em estado de calamidade, Maria Lúcia Amaral aceitou sair do cargo. Em nota enviada através do gabinete do Presidência da República, informa-se que “o pedido de demissão da Ministra das Administração Interna” foi aceite por Marcelo Rebelo de Sousa.
O mesmo comunicado explica que Maria Lúcia Amaral “entendeu já não ter as condições pessoais e políticas indispensáveis ao exercício do cargo”.
A proposta de demissão terá sido feita por Luís Montenegro, “que assumirá transitoriamente as respetivas competências”.
Este anúncio de demissão surge depois de vários dias de pressão por causa da resposta do Governo à intempérie e na véspera do debate quinzenal dedicado a essa mesma resposta.
Luís Montenegro responderá amanhã, quarta-feira, pela primeira vez, na Assembleia da República à oposição, que criticou a atuação do executivo, sobretudo na fase inicial de resposta à depressão Kristin, com vários partidos a pedirem a demissão da ministra da Administração Interna.
O primeiro-ministro, por seu turno, tem defendido que o Governo fez tudo o que era possível desde o início e que este ainda não é o momento de fazer a avaliação do executivo, mas de responder às situações de emergência no terreno.
Do vídeo apagado ao
Do vídeo apagado ao “ordenado”: Resposta à Kristin põe Governo em xeque
Dos ministros que não sabem “o que falhou” no apoio às populações afetadas pela tempestade aos que sugerem que estas recorram agora ao “ordenado do mês passado”, o Governo de Montenegro está debaixo de fogo pela forma como tem gerido a crise causada pelo mau tempo.
Tomásia Sousa | 19:18 – 03/02/2026
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
Na quinta-feira passada, além de ter sido prolongada a situação de calamidade até ao próximo domingo, foi formalizada a isenção de portagens em alguns trechos de autoestradas das zonas afetadas pelo mau tempo e aprovado um regime jurídico excecional e transitório de simplificação administrativa e financeira destinado a viabilizar a reconstrução e reabilitação, sem controlo administrativo prévio.
A ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, tem sido o alvo preferencial das críticas da oposição – com vários partidos a pedirem a sua substituição no Governo -, mas estas estenderam-se a outros membros do executivo na gestão da crise, como o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, o da Defesa Nacional, Nuno Melo, ou o da Economia e da Gestão Territorial, Manuel Castro Almeida.
O último debate quinzenal com o primeiro-ministro no parlamento realizou-se a 21 de janeiro, dominado pelo tema das presidenciais, e o próximo já está marcado para 25 deste mês.



