Nuno Melo trama André Ventura

O presidente do CDS-PP, Nuno Melo, associou este sábado o Chega ao socialismo, comparou André Ventura a Donald Trump e apelou ao voto “em consciência” nas eleições presidenciais de 8 de fevereiro.
Na intervenção de encerramento da convenção autárquica do CDS-PP, no Porto, o líder dos democratas-cristãos recordou que o Chega defende que no dia 8 de fevereiro estará em causa saber quem está “do lado do socialismo ou do lado de quem combate o socialismo”.
“Não se é de direita ou de esquerda porque se diz que é de direita ou de esquerda. O Chega realmente defende aumentos de impostos e um Estado a dar tudo a todos, o que normalmente só acontece com o dinheiro que é dos contribuintes, com a tal mão metida no bolso de quem trabalha. Mais socialismo do que isto não há”, disse Nuno Melo.
Reiterando a posição transmitida durante a semana pela Comissão Executiva, Nuno Melo sublinhou que o CDS-PP “não terá nenhum empenho orgânico, nem nenhum empenho institucional” na segunda volta das presidenciais, insistindo que o partido não dará “nenhum apoio formal” nem ao antigo secretário-geral do PS, António José Seguro, nem ao líder do Chega, André Ventura.
O presidente do CDS-PP recordou ainda o momento em que assumiu a liderança do partido, em 2023, quando “um dos candidatos hoje à segunda volta das eleições presidenciais [André Ventura] chamou a imprensa com supostamente sete milhões no bolso, saídos não se sabe bem de onde, dizendo que ia comprar” a sede nacional do CDS-PP, “num largo que não é por qualquer razão que se chama Adelino Amaro da Costa”, o ex-ministro centrista que morreu no acidente aéreo que também vitimou Francisco Sá Carneiro.
Nuno Melo acrescentou que André Ventura teve esse posicionamento “com a mesma ligeireza” com que, por exemplo, “um líder de um país do mundo livre diz hoje que vai comprar um território no Ártico contra a vontade dos seus nacionais e da sua população”, numa referência às declarações do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a Gronelândia.
“Nós não somos a tal direita que a esquerda gosta, mas também não somos aquela direita que os populistas se aproveitam”, salientou o também ministro da Defesa Nacional, avisando que qualquer “dinâmica das redes sociais” pode gerar “grandes apoios e muitos ‘likes’ do PS ou do Chega”, mas não “acrescentam um voto ao CDS”.
Nuno Melo considerou ainda “normal” que o CDS não apoie “um candidato socialista”, referindo-se a António José Seguro, dizendo estar “naquele ponto em que estava o doutor Paulo Portas, em 1998, quando no 16.º Congresso” dos democratas-cristãos afirmou que “o adversário ideológico do CDS é o socialismo e o adversário político do CDS é o PS”.
Mas, acrescentou, “o mundo mudou e a reconfiguração política ou partidária” também obriga “a adaptar aquilo que é uma nova realidade”.
Recusando qualquer pretensão de “dar indicações de voto” para o dia 8 de fevereiro, Nuno Melo apelou à audiência para votar “em consciência”, “em quem achem menos mal” ou, “se for caso disso, em quem achem razoavelmente bom”, ou mesmo “de qualquer uma das outras formas que em democracia também são permitidas, porque expressas em voto e em urna”.
“Façam como queiram, mas nunca esqueçam: nenhum de nós que está neste partido é maior do que o nosso partido, é maior do que o CDS. É por isso que cá estamos e é pelo CDS que lutamos todos os dias”, concluiu.
O líder centrista não prestou declarações aos jornalistas no final da intervenção.



